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Walbum/Maintz Brazilian Quintet – Copenhagen-São Paulo

Não é de hoje que músicos estrangeiros gravam discos com músicos brasileiros. A lista é grande: Chet Baker, Randy Brecker, Toots Thielemans, Larry Corryel, Kenny Barron, George Duke, Diana Krall, dentre muitos outros. É notável que a nossa música sempre despertou interesse dos “gringos”, principalmente da turma do Jazz, e esse é mais um disco que mostra como essa união pode produzir excelentes resultados.

O álbum “Copenhagen – São Paulo” foi idealizado pelos dinamarqueses Thomas Walbum (piano) e Thomaz Maintz (guitarra/violão), que também assinam as composições. Para dar forma ao projeto, chamaram três grandes músicos brasileiros: Carlos Ezequiel (bateria), Pirulito (percussão) e o mestre Sizão Machado (contrabaixo acústico).

O álbum inicia com o samba “Shortcut”, mostrando o que podemos esperar do restante do disco: uma excelente mistura de jazz europeu com uma cozinha altamente suingada. A bonita melodia vem acompanhada de ótimos improvisos de Walbum e Maintz, enquanto Sizão, Ezequiel (que também tem espaço para um solo) e Pirulito conduzem a base com muita personalidade. “Nightmind” possui uma harmonia mais densa que a primeira faixa e uma maior liberdade por parte dos instrumentistas acompanhadores. Pirulito explora inúmeros instrumentos de percussão dando um colorido à faixa e Sizão executa um bonito improviso em seu contrabaixo acústico.

A faixa “Northern Hemisphere” traz métricas não convencionais ao tradicional ritmo do samba, mas a cozinha faz um excelente trabalho colocando o tempero brasileiro no tema. Destaque para o excelente improviso desenvolvido pelo pianista Thomas Walbum. “Take Off” tem uma sonoridade que nos remete aos sambas de Toninho Horta, com uma bonita combinação de harmonia e melodia. Sizão mostra porque é um dos maiores baixistas brasileiros de todos os tempos com condução e improviso impecáveis.

A balada “Time To Lose” traz uma sonoridade “Methenyana” no violão de Maintz, que executa a bela melodia e também nos presenteia com um excelente improviso. Já “Funky Monday” possui uma introdução em “samba-funk” e desemboca em um samba mais livre no tema e nos improvisos. Maintz mais uma vez faz um improviso excelente, assim com Walbum e Pirulito.

“Caipirinha” é um tema ao melhor estilo samba-jazz. Bastante agitada, a faixa conta com solos impecáveis da dupla dinarmaquesa e uma cozinha inspiradíssima nas conduções. A balada jazz “Times Gone By” encerra o disco com uma bonita performance em trio (baixo, piano e bateria). Walbum e Sizão nos presenteiam com improvisos de pura sensibilidade e Carlos Ezequiel mostra pleno domínio da bateria, explorando diversos timbres e conduzindo muito bem a dinâmica da música.

O álbum, lançado recentemente, só está disponível no Brasil por meio de download digital no iTunes. Excelente álbum!!

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Arthur Maia – O Tempo e a Música (2011)

Esse é o mais recente trabalho do contrabaixista Arthur Maia, lançado em 2011. Arthur dispensa maiores apresentações – seus trabalhos como sideman de Gilberto Gil, Djavan, Ivan Lins, dentre outros, além de seus discos solo, o credenciam como um dos maiores instrumentistas brasileiros. Produzido por Arthur e Di Steffáno, esse trabalho também merece destaque por ser, talvez, o disco mais brasileiro dentro de sua discografia solo, com frevos, sambas e choros, mas sem perder também a veia grooveira.

O disco se inicia com um arranjo belíssimo do choro “Abismo de Rosas”, onde Arthur mostra porque é uma das maiores referências no contrabaixo fretless (sem trastes). Acompanhado de um sexteto de cordas, Arthur executa o tema com muita musicalidade e personalidade. No segundo tema, “Forró em Havana”, destaque para o excelente arranjo misturando música brasileira e latin jazz, com ótima presença dos sopros de Bruno Santos (trompete), Josué LopezMarcelo Martins(Sax Tenor) e Rafael Rocha (trombone).

 ”Macabú” traz uma sonoridade mais jazz, com Arthur dobrando o tema do trompete com a voz. O trompete de Bruno Santos e o Rhodes de Kiko Continentino nos presenteiam com ótimos improvisos. “Brejeiro”, de Ernesto Nazareth, é um dos pontos altos do disco. O choro ganha nova roupagem com o slap preciso de Maia. Um clássico da música brasileira em uma versão super moderna e bastante agradável!

“Um Abraço no João” é uma bela composição de Gilberto Gil, artista que Arthur Maia acompanha a muitos anos. O próprio Gil participa da faixa tocando seu violão em conjunto com o baixo fretless de Arthur. A valsa “Tuca” dá continuidade ao disco e conta com a participação do gaitista Gabriel Grossi, do violonista Heitor TP e do grande baterista Carlos Bala, abrilhantando a faixa.

“Montains”, composição do pianista Kiko Continentino, é uma balada onde as vozes de Arthur ePriscila D’Xon se misturam com as melodias executadas pelo contrabaixo, marimba, gaita e sax. Outro ponto alto do disco, “Minha Palhoça” traz a participação da cantora Mart’nalia nesse ótimo samba do compositor J. Cascata, tio-avô de Arthur. Linda música!

“Frevo do Compadre” apresenta um lado mais virtuoso de Arthur Maia. O arranjo ganha corpo com sopros a mil, a bateria agitada de Di Stéffano, inúmeras convenções e solos rápidos, como todo bom frevo instrumental. “To Nico”, dedicada ao baixista Nico Assumpção, é uma composição que já vinha sendo executada faz algum tempo nos shows de Arthur. No disco, ela ganha um sabor especial com a participação do virtuoso e criativo guitarrista norte-americano Scott Henderson.

O disco se encerra com a faixa-título, “O Tempo E A Música”, um rap com letra que conta a devoção de Arthur à música. Que essa devoção continue trazendo bons frutos como esse e tantos outros discos que o Arthur já gravou!

Frederico Heliodoro – Dois Mundos (2012)

Esse é o segundo CD do contrabaixista e compositor mineiro Frederico Heliodoro. Apesar de jovem, Heliodoro vem se destacando na cena da música instrumental com seu trabalho solo e acompanhando artistas como Toninho Horta, Leo Gandelman, André Mehmari, entre outros. Nesse disco, ele conta com a companhia do mineiro Felipe Continentino na bateria e dos brasilienses Pedro Martins na guitarra e Felipe Viegas no piano.

Produzido por Daniel Santiago, o disco é impecável do início ao fim. A primeira faixa, “Burian”, inicia com um belíssimo coro e se desenvolve com um arranjo que destaca ainda mais a bela melodia, repetida de maneiras diferentes durante a faixa. “Agulhas Negras 2” é um tema bastante agitado, com diversos climas diferentes. Os jovens músicos se revezam em melodias e improvisos, com destaque para os solos de piano e guitarra de Felipe e Pedro.

Em seus 8 minutos de duração, “Cloudfall” possui um clima sombrio em seu tema inicial, seguido de um arranjo ao melhor estilo do jazz contemporâneo, com acordes de sonoridade forte, contrabaixo colado com o piano e bateria bastante agitada. A cozinha faz uma excelente cama para o desenvolvimento dos improvisos de piano e guitarra. “Alegria” é uma balada com momentos onde se percebe a influência da música mineira, do folk e do rock no trabalho de Heliodoro. Além da bela melodia, destaque para trabalho de contrabaixo de Heliodoro e o solo de piano de Viegas.

A faixa-título, “Dois Mundos”, tem como destaque o talentosíssimo guitarrista Pedro Martins, de apenas 18 anos, que executa a melodia com bastante personalidade e faz um solo impecável. “Dayzeland” nos remete aos temas do grupo “Brian Blade Fellowship”, com um arranjo que preza pela dinâmica e destaca ainda mais a melodia. Nessa faixa, Heliodoro também executa um excelente improviso de contrabaixo acústico.

“Agulhas Negras 1” é, para mim, o ápice do disco. Com uma melodia épica e mais um arranjo excelente, a música possui uma das melhores performances do quarteto registradas no álbum. A dinâmica apresentada pelo grupo, as convenções, os solos de guitarra e contrabaixo: tudo impecável e irretocável.

O disco se encerra com duas pequenas faixas: “Simple Like This” traz um coro acompanhado por guitarra, contrabaixo e bateria em mais uma belíssima e introspectiva melodia. Já “Vinheta”, que encerra o disco, apresenta uma pegada mais rock’n’roll.

Sem dúvida alguma, esse é um dos melhores discos do ano. Músicas que prezam pela simplicidade e por belas melodias executadas por quatro jovens já maduros musicalmente e com uma produção de alto nível. Recomendadíssimo!

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Leo Gandelman – Vip Vop (2012 – DVD)

“Vip Vop” é o novo trabalho de um dos mais renomados saxofonistas brasileiros, Leo Gandelman, e lançado recentemente em CD (gravado em estúdio) e DVD (gravado ao vivo). Em parceria com o pianista David Feldman, Leo compôs temas que remetem à época áurea do samba-jazz e da bossa-nova, mais precisamente à música que era feita no Rio no fim dos anos 50 até meados dos anos 60.

Para dar vida às novas composições, nada melhor que uma banda extremamente competente: David Feldman (piano), Alberto Continentino (contrabaixo acústico), Rafael Barata (bateria) e Serginho Trombone. No CD, também participam o baixista Guto Wirtti e o baterista Renato Massa.

O DVD foi gravado em 2011 no Teatro Municipal de Niterói, totalmente em preto-e-branco. Os dois primeiros temas, “Sinal Vermelho” e “Nego tá Sabendo” mostram a cara desse novo trabalho de Leo, com um suíngue brasileiríssimo da cozinha formada por Barata e Continentino e excelentes improvisos de Serginho, Feldman e Gandelman com fraseados característicos do samba-jazz.

A terceira faixa, “Vip Vop”, que dá nome ao trabalho, possuí um ótimo groove de piano, baixo e bateria e tem como destaque um fantástico improviso do virtuoso sessentão Serginho Trombone. “Luz Azul” é a primeira balada do show, com bonitas melodias e solos de Gandelman e Feldman, além da sensibilidade ímpar de Barata, que dá uma aula de dinâmica e respeito à música e mostra porque já é considerado um dos melhores bateristas brasileiros.

“Lançamento” nos remete mais uma vez à época do Samba-Jazz e parece ter sido retirada de discos como “Edison Machado é Samba Novo” e “J.T Meirelles e os Copa 5”. “Numa Boa” apresenta inúmeras convenções e um groove de baixo colado com o piano, desembocando em um samba nos improvisos. Destaque mais uma vez para o improviso de Feldman, grande pesquisador do samba-jazz, que “entorta” tudo junto com Continentino e Barata!

“Neshama” é a outra balada do DVD, onde o sax de Gandelman desenha belas melodias em conjunto com o piano de Feldman. O show é encerrado com “Camisa 7”, com um mais um groove brasileiríssimo de Continentino e Barata, que também nos presenteiam com ótimos improvisos.

Esse é um DVD essencial para quem curte  música instrumental brasileira em sua essência. Leo e sua banda fazem um importante resgate da cultura do samba-jazz, que revelou tantos grandes nomes e jamais deve ser esquecida!

Instrumental SESC Brasil – Sinal Vermelho:

Ebinho Cardoso e Pedro Vasconcellos – A Comédia do Coração (2011)

Um disco de contrabaixo e voz a princípio pode soar como uma idéia estranha. Porém, com dois músicos do nível do baixista mato-grossense Ebinho Cardoso e do cavaquinista brasiliense Pedro Vasconcellos, o resultado é um disco belíssimo e que se tornou um dos meus discos preferidos desde que ouvi pela primeira vez: “A Comédia do Coração”.

Ebinho Cardoso é um dos maiores talentos do contrabaixo nacional dos últimos tempos, e desenvolve uma pesquisa sobre acordes no contrabaixo de 6 cordas que já resultou em diversos frutos, como DVDs e um livro. Além da afinação tradicional do 6 cordas, o baixista explora com muita musicalidade afinações alternativas, o que gera inúmeras possibilidades dentro do seu trabalho. Como se não bastasse, Ebinho também é um excelente cantor e explora muito bem a voz como instrumento.

O disco inicia justamente com um coro de vozes de Ebinho em “Libra”, composição de Pedro Vasconcellos, que executa a bela melodia acompanhado do contrabaixo e dos vocalizes de Ebinho.
“Dos Anjos”, também composta por Pedro, ganha um arranjo diferente daquele do disco “Primeiro”, do trio Aquário. Destaque para o excelente improviso de Pedro, com clara influência de Hamilton de Holanda e outros músicos contemporâneos.

“Vasconcellos” é uma composição de Ebinho em homenagem à família Vasconcellos que gerou grandes músicos, como o próprio Pedro, os contrabaixistas André e Ricardo Vasconcellos, o pianista Renato, entre outros. Destaque para a harmonia “violonística” executada com louvor por Ebinho. A faixa seguinte, “Tudo Acaba Assim”, é uma composição do violonista brasiliense Rafael dos Anjos e é recheada de nuances melódicas e harmônicas.

“Tranquilo” inicia com acordes executados por Ebinho na região aguda do contrabaixo. Pedro desenvolve a melodia e também executa um excelente solo. “Coisa Boa” é mais uma composição do cavaquinista, e trás um tema bastante alegre e movimentado.

O álbum é encerrado com a faixa que dá nome ao disco, “A Comédia do Coração”, composição do mestre da harmonia Ian Guest, professor renomado de grandes nomes músicos brasileiros. O duo executa um arranjo com uma bela harmonia para fechar com chave de ouro.

Além da beleza das canções, vale destacar também a qualidade da gravação, com timbres magníficos e excelente mixagem. Um álbum para se ouvir com atenção muitas vezes e curtir suas excelentes “canções instrumentais”, como Pedro Vasconcellos costuma classificar suas e as outras composições presentes no disco. Excelente!!

Para ouvir algumas faixas:

Aquário – Primeiro (2010)

Resenha feita anteriormente para a Revista Baixo Brasil, com adaptações

O grupo Aquário, formado pelos jovens músicos brasilienses Pedro VasconcellosRafael dos Anjos e Eduardo Belo lançou em 2010 seu álbum de estreia, intitulado simplesmente como “Primeiro”. O trio conta com uma formação inusitada: cavaquinho, violão e contrabaixo acústico.
Os três integrantes são jovens e virtuosos músicos da nova safra de Brasília, e contam com formações bastantes distintas, que vai desde o samba e o choro ao jazz e a música erudita. O contrabaixista Eduardo Belo sintetiza muito bem essa mistura. Estudou contrabaixo erudito na Escola de Música de Brasília e na UnB, mas sempre tocou gêneros como o jazz, bossa nova e outros gêneros ditos “populares”. Belo também é um dos contrabaixistas mais requisitados nas noites brasilienses, tocando em diversos grupos e formações. Estudou jazz nos EUA por um período em 2008 e atualmente faz mestrado no mesmo país.
As composições do disco mostram um grupo bastante entrosado e preocupado principalmente com a beleza das melodias e harmonias. São 12 temas belíssimos, sendo 11 compostos pelos integrantes do trio e um assinado por Hamilton de Holanda, conhecedor e admirador do trabalho do grupo. Todas elas mostram bastante influência de Pat Metheny, Charlie Haden e compositores de trilhas para cinema como Ennio Morricone. Inclusive, esses são alguns compositores sempre lembrados em shows do trio.

O gaitista Gabriel Grossi participa como convidado em duas faixas. O disco foi todo gravado e mixado no estúdio Beco da Coruja em Brasília por Ricardo Nakamura, que também contribuiu na produção.

O resultado não podia ser outro: “Primeiro” é um trabalho primoroso, um disco de composições com uma preocupação enorme com a sonoridade e a beleza, executadas por três excelentes músicos que sabem extrair o melhor de seus instrumentos em função da música. Que seja o primeiro de muitos!

Faixas:

1. A Estrela e o Homem
2. Noite Dia
3. Chorinho da Alegria
4. O Amor em um Sorriso
5. Apesar De Tudo
6. Dos Anjos
7. Um Três Pra Quatro
8. Saudades do Meu Amor
9. Um Pouco de Amor
10. Ainda Nada
11. Tarde Azul
12. Música Para Sentir e Pensar

Para ouvir/baixar algumas faixas:

TV Câmara – Talentos:

Frank Herzberg Trio – Handmade (2011)


Opa! Blog errado?

Bem, não sei… Mas um álbum desse nível feito por dois músicos brasileiros e um alemão radicado no Brasil desde 1997 merece seu espaço aqui! Frank Herzberg é um contrabaixista nascido em Berlin, escolheu o Brasil como morada musical e aqui encontrou nomes como os que o acompanham em seu trio.

Formado na Berklee, onde foi alunos de nomes como Charlie Banacos e Hal Crook, Frank é um mestre da improvisação e do contrabaixo acústico, além de professor renomado. Mora no Brasil desde 1997, onde dá aulas e faz trabalhos em seu estúdio em São Paulo. Zé Eduardo Nazário é um baterista de vasta experiência e altamente inventivo, tendo tocado com o Grupo Um, Pau Brasil e nos grupos de Hermeto Pascoal e Egberto Gismonti. Alexandre Zamith é um premiado pianista com estudos na área erudita e pesquisador do piano brasileiro e da improvisação contemporânea.

O álbum inicia com um solo de arco de Herzberg em “Don’t Talk Crazy”. O tema abre espaço para momentos de improvisação coletiva do trio, com destaque para o solo de Rhodes de Zamith. “A Xepa” é um baião composto por Nazário na época em que tocou com Hermeto. Frank faz um excelente improviso em pizzicato, e a condução rítmica de Nazário é um show a parte.

“Mil Saudades” inicia com um solo de Frank, que durante a faixa alterna entre pizzicato e arco em melodias, conduções e em mais um belo improviso. Zamith também faz um solo memorável nessa que é a única balada do álbum. “Lorca” é uma composição bastante complexa, com várias mudanças de andamento, de compasso e uma harmonia bastante intrigante, mas nem por isso perde em beleza. Destaque para o solo de Herzberg utilizando arco e um efeito de oitavador.

“Too Much, Charlie” é uma composição em homenagem à Charlie Banacos, mestre da improvisação que com seu método inovador despertou interesse em alunos do naipe de Alain Caron, Mike Stern, Jeff Berlin, Michael Brecker e Danilo Perez. O tema possui momentos de puro swing e de improvisação coletiva, onde o trio mostra toda sua criatividade.

As 4 útlimas faixas do disco format a súite para jazz trio “Twelve Bars Down The Road I Met You”. São elas: “The Drums”, “The Bass”, “The Piano” e “The Trio”. Em cada uma delas, os integrantes exploram as diversas formas do blues em excelentes improvisos. Destaque para a última faixa, onde o trio executa um jazz tradicional com excelentes modulações harmônicas e, mais uma vez, solos de tirar o fôlego.

Lançado no final de 2011, o disco foi aclamado pela crítica e ganhou inclusive prêmios de melhor álbum de jazz do ano e realmente é fantástico. Além das execuções primorosas dos instrumentistas, vale destacar o excelente trabalho de gravação e mixagem, com timbres maravilhosos de todos os instrumentos. Altamente recomendado!!

O álbum pode ser encontrado em versão física em boas lojas do ramo, e em versão digital no iTunes e no CDBaby:
http://www.cdbaby.com/cd/frankherzberg

Hamilton de Holanda – Brasilianos 3 (2011)


Maturidade e personalidade musical é o que marca o terceiro álbum do quinteto Brasilianos, liderado pelo virtuoso bandolinista Hamilton de Holanda e formado por Daniel Santiago (violão), Gabriel Grossi (gaita), Márcio Bahia (bateria) e André Vasconcellos (contrabaixo acústico). Eles mostram uma concepção diferente dos outros álbuns, buscando uma sonoridade acústica e mais rebuscada, permeando diversos estilos.

O bandolim de 10 cordas de Hamilton inaugura o CD introduzindo o primeiro tema, a bela e lírica “Saudades de Brasília”. A segunda faixa, “Saudades do Rio”, possuí harmonia e melodias riquíssimas, executadas com louvor pelo quinteto. André conduz a música com simplicidade e precisão, fazendo exatamente o que a música pede. Uma convenção belíssima e de alto nível técnico antecede a última exposição do tema.

“Guerra e Paz I”, composição inspirada em Cândido Portinari, conta com a participação especial de Milton Nascimento, que enriquece a faixa com sua fantástica voz. Márcio Bahia, que também é integrante da “Nave Mãe” (nome carinhoso dado ao Hermeto Pascoal e Grupo), dá um aula de dinâmica e sensibilidade com sua bateria. Linda música!

As cinco faixas que dão sequência ao disco são integrantes da Sinfonia Monumental, uma composição conjunta de Hamilton e Daniel Santiago em homenagem aos 50 anos de Brasília e que flerta com o erudito, jazz, choro, samba, dentre outros estilos. Gravada anteriormente com orquestra, aqui a Sinfonia aparece executada somente pelo quinteto, mostrando todo o entrosamento alcançado pelos músicos ao longo dos anos.

Os cinco movimentos são: “Primeiras Idéias”“Prece ao Santo Céu”“Marcha dos Candangos”“JK Proibido” e “Caos e Harmonia”. São verdadeiros “retratos sonoros” que contam, em forma de som, a história da capital federal desde sua idealização e construção até os dias de hoje. Para isso, Hamilton e Gabriel executam lindas melodias e virtuosos improvisos sustentados pelas harmonias dedilhadas do violão de Daniel e a precisão da cozinha de André, que alterna entre as técnicas de pizzicato e arco, e Márcio Bahia.

O disco é finalizado com chave de ouro por “Guerra e Paz II”, mais uma vez inspirada em Portinari. Aqui Hamilton troca o bandolim pelo violão tenor para criar mais uma obra-prima em companhia de Gabriel Grossi.

Esse é mais um excelente álbum de um grupo que já marcou seu nome na história da música instrumental brasileira! Altamente recomendado!

Obs.:
O álbum pode ser encontrado nas melhores lojas do ramo

Instrumental SESC Brasil

Sandro Haick – Kako (2012 – CD/DVD)

Registrado em CD e DVD, o novo trabalho do multi-instrumentista Sandro Haick é simplesmente espetacular. Gravado ao vivo no Mosh, um dos melhores estúdios da América Latina, Sandro reuniu um grupo dos sonhos. Tocando bateria em todo o trabalho, ele contou com Bruno Cardozo e Pepe Cisneros (teclas), Walmir GilJota P e Wilson Teixeira (sopros), Mestrinho (acordeon) e o mestre Sizão Machado no contrabaixo elétrico e acústico. O responsável pela impecável captação e mixagem foi o técnico Guilherme Canes, que durante o making-of do DVD resume bem esse trabalho: “Se o cara quer fazer isso da vida (música instrumental), isso aqui é o ápice”.

O disco inicia com “Baião dos 40”, com frases e melodias características do estilo. Durante os belos improvisos de Jota P e Mestrinho, a cozinha formada por Sandro e Sizão dá uma aula de dinâmica e condução em ritmos brasileiros, incendiando o agitado tema. Ao final da música, ainda somos presenteados com o primeiro solo de Sandro no trabalho, com muito suíngue e criatividade. A segunda música,“Pro Luquinha” possui uma bonita melodia executada pelo acordeon de Mestrinho, que também faz mais um ótimo improviso. Aqui, a condução de Sizão dá total segurança para o desenvolvimento do arranjo.

“Dezembro” dá continuidade ao trabalho com momentos de improvisação coletiva e belas melodias, onde Sandro desenvolve várias “figuras sonoras” em sua bateria. Sizão utiliza o seu contrabaixo acústico nesse contexto, variando entre pizzicato e arco. Com um ótimo groove de batera, baixo e Hammond, “São Pedro” traz uma “feeling” diferente das músicas anteriores, alternando entre o funk, jazz e fusion.

A valsa “Waltz for Luxembourg” é um bonito tema onde o destaque fica para o maravilhoso improviso de contrabaixo acústico de Sizão Machado, onde o mestre mostra toda sua sensibilidade e a riqueza melódica de seu vocabulário. “Piano com Chimarrão” pode ser chamado de “fusion brasileiro”: uma mistura riquíssima de timbres de fretless, teclados, acordeon, sopros e ritmos brasileiros.

“Setúbal” é praticamente um mantra, onde Sandro faz a vocalização da melodia em conjunto com improvisações livres de bateria, teclas, baixo e sopros. “Eu te amo Guadalupe” é um tema que lembra bastante o “Hermeto Pascoal e Grupo”: muita liberdade para todos os instrumentistas, mas sempre priorizando a beleza melódica. As conduções contrapontísticas do contrabaixo de Sizão são dignas de nota.

O trabalho é encerrado com “Samba pro Raul”, aonde temos uma verdadeira aula de condução em samba. Sizão, aqui com seu precision com cordas flatwound, faz praticamente um solo em meio a melodias e improvisos, mas sempre dando suporte para os outros instrumentos brilharem, com muito suingue e criatividade.

Produzido de forma independente, esse trabalho pode ser adquirido diretamente com o próprio Sandro, pelo módico preço de 18 reais (CD+DVD+frete) pelo e-mail sandrohaick@yahoo.com.br . Um valor irrisório para um item obrigatório para todos os amantes da música instrumental brasileira!!! Altamente recomendado!

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